• Henrique Reichert

Economia do mal-estar, internet e música brasileira #crvlnews007

A OMS já alertou algumas vezes e o que não faltam são pesquisas voltadas à investigação dos efeitos da pandemia na saúde mental, indicando o aumento de quadros como depressão, ansiedade, estresse, transtorno do pânico e insônia em diferentes países.


No geral, não estamos bem. Ok, mas até aí nada de muito novo. Acontece que o estudo de destaque de hoje faz um levantamento de dados muito bom sobre o estado geral das pessoas e quais as soluções que elas encontram.


Para estes redatores, o que mais nos faz chorar é a qualidade das músicas atuais, por isso a playlist dos Anos 80 do Brasil acaba fazendo sucesso por aqui. Naquela época, ficava muito nítida a influência do cenário político nas letras e até no ritmo das músicas.


Bem, mas na prática quase todas as décadas foram conturbadas na política e economia brasileira, certo? Então pensamos em comparar os principais aspectos da música brasileira desde a década de 1950 até os tempos atuais.


Economia sem política


A arte está muito relacionada ao cenário político e econômico, foi através dela que muitos artistas conseguiram expressar seus pontos de vista, sua indignação ou apenas chamar atenção para alguma temática.


Tendo este ponto como foco, o que mudou na música brasileira nas últimas décadas? Será que os períodos menos conturbados economicamente também serão os mais positivos do ponto de vista da música e letra? E as músicas atuais, onde se encaixam?


Na análise da musicalidade, algumas das variáveis apresentam uma transição gradual, em sequência, e não está muito ligada a contextos sociais, mas sim à própria evolução de instrumentos musicais e formas de edição da música.


Dançabilidade, energia, volume e batidas por minuto têm apresentado uma evolução década após década, principalmente no quesito volume. As batidas por minuto e energia, por sua vez, também apresentam evolução subsequente, mas já apontam uma ruptura mais drástica nas décadas de 1980 e de 2010.


Já no quesito de positividade não há uma sequência definida. Avaliamos o sentimento da música a partir da valência, um indicador que mensura o quão positiva é a música a partir da sonoridade dela, e pelas letras utilizadas.


E nessa competição por positividade, a vencedora é a década de 1980, tanto pela letra como pela valência. Não tem como ficar deprimido com Vento Ventania (Biquini Cavadão) e Andar Com Fé (Gilberto Gil).


Por outro lado, os anos 2010 e 2000 são os mais melancólicos, o que se explica pelos ritmos lentos de Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim (Ivete Sangalo) e Olhos Certos (Detonautas). Na parte das letras, a menor positividade também se explica pelo uso de palavras menos trabalhadas (pra dizer o mínimo).


Na matéria completa tem gráficos, outros indicadores e até o link para nosso projeto do GitHub para quem quiser replicar a análise das músicas. Tá bem legal! Confere lá.


Economia regional


Já são mais de 540 mil CNPJs criados no Brasil desde o início do ano e cada vez mais estas empresas têm se dedicado à atuação pela internet.


Durante o ano de 2019, os negócios criados para atuar apenas pela internet representavam menos de 5% do total de todos os novos CNPJS. Até março de 2020, este percentual se manteve neste nível, com leve aumento para quase 6% do total das novas empresas.


A partir de então, a proporção de negócios via internet não parou de crescer, alcançando 12,5% das empresas em julho de 2020 e 17,2% no mês de outubro de 2021, o recorde histórico.


Apesar do crescimento, esta ascensão não foi homogênea entre as regiões do país. No acumulado deste ano, o Distrito Federal e São Paulo lideram a lista de mais empresas digitais, com 22% e 18%, respectivamente. Por outro lado, o estado de Sergipe não chega a 2%, sendo que o Nordeste e Norte alcançam médias de apenas 7%.


Confira a matéria completa para ver os gráficos e mapa dos estados.


Acadêmicos da Depressão


Um estudo recente que mescla antropologia visual a tendências de comportamento nos fez explodir a cabeça. Dos principais resultados, 8 em cada 10 pessoas possuem algum projeto que não consegue tirar do papel. Ainda, 41% das pessoas sentem que não estão fazendo tudo o que podem pela sua felicidade e 35% sentem-se mais negativos ao acompanhar a vida alheia nas redes sociais.


Ao surgirem problemas em alguma das áreas da vida e havendo demanda para ajuda profissional, 29% das pessoas escolheram a terapia e 6% escolheram um coach. Parecia promissor até que: dos que escolheram terapia, somente 25% ficaram totalmente satisfeitos. Já para os que escolheram um coach, o número sobe para 45%.


Eis a economia do mal-estar. Uma doutrina de choque, que entrega fórmulas prontas e que promete que tudo aconteça muito mais depressa. Nós, não somos nem de longe profissionais da saúde, mas por enquanto, escolhemos manter firme nosso contrato com a ciência… O estudo está ótimo, não deixem de ler.

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