• Henrique Reichert

O mesmo dado, hist√≥rias diferentes! ūüé≤#crvlnews003

Ninguém vira Venezuela ou Suíça da noite pro dia, leva-se anos ou décadas para isso. A enorme volatilidade das bolsas de valores ou de negócios e startups são casos muito específicos. Na prática, a economia não é frenética, muito pelo contrário, mesmo mexendo vários pauzinhos, a resposta sempre demora pra vir. O que queremos dizer é que é preciso ter calma. Então respire, prepare seu chá e desfrute da sua newsletter.

Economia sem política O resultado do PIB trimestral divulgado no começo do mês trouxe uma variação de -0,1%, indicando estabilidade (nada mais e nada menos que o tédio!) A expectativa do mercado era de 0,2% - um cenário estável, não muito diferente do consolidado. Ainda que a perspectiva positiva não vigorou, convenhamos que continua sendo um cenário de estabilidade, nada além disso. Inclusive foi assim que o resultado de -0,1% foi abordado pelo IBGE:


Porém, na tentativa de aumentar a venda de Rivotril, alguns canais de comunicação abordaram o tema dessa forma:


Bom‚Ķ o resultado frustrante quase nos fez chorar. Mas ūüė≠apesarūüė≠ disso, a economia se manteve no patamar pr√©-pand√™mico. Isso √© no m√≠nimo curioso. Precisamos urgente de um gif do Confused Travolta.

O negócio é que: o mesmo dado e a mesma estatística podem ser usados para contar histórias diferentes, a depender do viés de confirmação de quem escreve, além, é claro, da necessidade de gerar cliques. E foi isso que trouxemos neste post. Mas não se apavore, estamos aqui para trazer luz e calmaria para sua semana.

Economia Regional Curitiba é a capital mais empreendedora do Brasil. A capital paranaense apresenta um índice de 6 novas empresas a cada mil habitantes, este valor é notavelmente superior à média brasileira, de 2 empresas para mil habitantes, e à média do estado do Paraná, de 2,4. E o que tem se destacado na capital paranaense? Bem, o comércio varejista desempenha papel fundamental, especialmente porque já tem o maior volume de empresas, mas se destacada aqui o crescimento das empresas de tecnologia da informação, foram 822 novas empresas no ano, um crescimento de 72% em relação ao mesmo período do ano passado. Confira em detalhes.

Acad√™micos do Telecurso 2000 Hoje vamos destacar os estudos que avaliaram o ensino das nossas escolas. Apesar da quase universaliza√ß√£o do ensino nos √ļltimos anos, a parcela de alunos que est√£o em boas escolas ainda √© pequena e continuamos em situa√ß√£o bem inc√īmoda no ranking do PISA. Nestas avalia√ß√Ķes, chama a aten√ß√£o a diferen√ßa do ensino p√ļblico e privado. Mas ser√° que o problema √© da escola ou de quem a frequenta? Para analisar isso, a Jana√≠na Feij√≥ e o Jo√£o de Fran√ßa fizeram estimativas para comparar o desempenho das escolas isolando o background familiar dos alunos. Como resultado, os pesquisadores verificaram que a diferen√ßa de rendimento √© explicada predominantemente pelo background dos alunos. Mas n√£o para por a√≠, a influ√™ncia das escolas afeta muito mais os alunos que est√£o entre as notas mais baixas e mais altas. Ou seja, se os estudantes da rede p√ļblica tivessem as mesmas caracter√≠sticas dos alunos do ensino privado, eles poderiam ter notas t√£o boas ou at√© superiores a eles. Confira a mat√©ria. Na mesma vibe, dois Andr√©s, o Curi e o de Souza, criaram um ranking para avaliar o valor adicionado das escolas aos alunos. Assim, o √≠ndice dos pesquisadores d√£o menor peso √†s escolas que s√£o beneficiadas por bons alunos. (Link) Por fim, um alerta! Se voc√™ ainda n√£o enlouqueceu com as not√≠cias que l√™ sobre a economia e quer cursar uma p√≥s-gradua√ß√£o, cuidado com sua sa√ļde mental. Isso mesmo! O que os meros mortais desta newsletter j√° presenciaram foi confirmado pela pesquisa da B√°rbara Kuenka, que alunos da p√≥s-gradua√ß√£o t√™m mais propens√£o a apresentar efeitos depreciativos nas suas sa√ļdes mentais. Confira o post completo aqui!

Hoje tem dicas J√° que transparecemos nosso ran√ßo com o jeito que a economia √© apresentada e divulgada na m√≠dia, vamos agora indicar o livro Freakonomics. A leitura √© super tranquila e instigante, poderia at√© se chamar Coolconomics (caso isso n√£o fosse um nome terr√≠vel). Assim como esta newsletter, o autor do livro, Steven Levitt, mostra o lado legal e desafiador da ci√™ncia econ√īmica, que n√£o s√≥ estuda infla√ß√£o, mercado monet√°rio e peso do estado, mas avalia diversos aspectos do comportamento das pessoas. Entre v√°rios resultados interessantes, destaca-se como a pol√≠tica do aborto reduziu drasticamente a viol√™ncia e porque voc√™ pode estar sendo enganado pelo corretor de im√≥veis. Vale muito a pena a leitura!

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