• Henrique Reichert

Ideologia e gasto público em pequenas cidades

Quando se trata de opções políticas, tem pessoas que buscam mais afinidade com figuras políticas, independente do partido dela, enquanto outras tem mais pré-disposição a escolher alguma opção dentre as disponíveis exclusivamente em seu partido de maior afinidade.


O caso é que de uma forma ou outra, o partido que a pessoa está representando acaba afetando bastante entre seus eleitores. Afinal, o partido representa uma ideologia ou uma orientação básica sobre determinadas bandeiras ou questões sociais.


Diante disso, a questão que se coloca consiste em verificar se é possível estabelecer alguma diferença na execução dos gastos públicos em função da ideologia de quem está na chefia do cargo.


Definir isto pela gestão federal talvez seria mais simples pela enorme visibilidade das ações, mas, por outro lado, há baixa quantidade de observações e alta influência do contexto socioeconômico. Assim, tal avaliação não seria um resultado generalizado satisfatório para representar um padrão da orientação político.


Para avaliar o fator ideológico de maneira geral, os autores Wilson Gerigk e Adriana Codato avaliaram os gastos municipais de todos os municípios do Brasil entre 2001 e 2012. Mais especificamente, eles optaram por avaliar apenas as cidades que tem menos de 5 mil habitantes, que estariam mais próximos a sua população e por se tratar de um público pouco avaliado.


Partindo de um pressuposto básico de que partidos mais a esquerda estariam ligados a uma orientação mais favorável a influência a administração pública na sociedade, foram levantadas três hipóteses:


Hipótese 1: partidos de esquerda são mais “estatistas”, isto é, destinam mais recursos para as políticas de administração/planejamento do que os partidos de centro e de direita (partidos de esquerda tenderiam, devido à sua concepção ideológica, a aumentar a estrutura burocrática local, privilegiando mais a contratação de pessoal do que os partidos políticos de centro e de direita).


Hipótese 2: partidos de esquerda têm uma atuação política mais “social”, ou seja, aplicam mais recursos em políticas educacionais que os partidos de centro e de direita (supondo que partidos à esquerda no espectro político dão mais ênfase a políticas sociais do que partidos de centro e de direita).


Hipótese 3: partidos de esquerda são mais “desenvolvimentistas”, pois tendem a destinar maior volume de recursos em gastos com investimentos públicos que os de centro e de direita (considerando a universalidade de bens públicos, espera-se que os partidos de esquerda apliquem maior recursos em investimentos diretos do que aqueles governados pelos de centro e de direita)


E aí, já tem a seu chute? Pois bem, acontece que muitas vezes a ciência não é feita por respostas objetivas, e sim pela negativa das hipóteses. Neste caso em específico, nenhuma das hipóteses se confirmou.


Os resultados mostraram que o partido (e a ideologia) fazem pouca diferença na definição dos gastos nas áreas de administração/planejamento e de educação das cidades. No caso dos investimentos, os números na verdade sinalizam que há uma relação positiva de maiores gastos com governos de centro e de direita.


Acesse o estudo completo.

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