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É Natal? Os bons costumes, a igreja e o bolo #crvlnews008

Atualizado: 22 de mar. de 2022

Não sei vocês, mas nós gostamos muito do Natal e de sua versão capitalista mesmo, com luzes, presentes, Papai Noel e feriados. Esta news, inclusive, está sendo redigida ao som de Last Christmas. E você, é daqueles que liga as luzinhas só em 24/12 ou já passa o novembro inteiro na expectativa?


Bem, tem um cara que resolveu expandir o escopo desta pergunta e analisou o espírito natalino ao redor do mundo. É para isso que serve a ciência de dados, o resto é bobagem.


Para fazer essa análise, o Brouwer usou os dados do Spotify e checou quando as pessoas começam a ser contagiadas pelas músicas natalinas e o momento em que estas músicas são mais tocadas.


Esta última pergunta ficou fácil de responder, e é na véspera de natal que Mariah Carey e companhia dominam o streaming com as playlists de Natal. Mas quando o espírito natalino começa?


De acordo com os dados, o espírito natalino começa em novembro mesmo, mas isso depende bastante da região do mundo. Para se ter uma ideia, nas Filipinas as músicas de natal já entram na lista de mais tocadas em setembro!


Holanda, os países escandinavos e os Estados Unidos também começam bem cedo, a maioria ainda em outubro ou no dia primeiro de novembro. Como não poderia deixar de ser, os mais atrasados somos nós, latino-americanos, junto com Turquia, Marrocos e Israel (que na maior parte comemora o Hanukkah), que só escutam sons natalinos na véspera de Natal mesmo.



Economia sem política


Esta é a primeira vez onde o artigo principal desta news não será de nossa autoria, mas deixa eu explicar o que aconteceu: comprei um PS4 usado. Não, não foi isso.


Acontece que vimos um gráfico no Reddit que compara a crença entre céu e inferno nos países. Achamos isso muito legal, porque além da falta de coerência das pessoas, estes dados permitem que façamos várias relações entre a crença e algumas outras variáveis, tipo violência e desenvolvimento econômico.


Esta era a ideia, mas avaliando o site que disponibiliza os dados desta pesquisa (https://www.worldvaluessurvey.org), descobrimos que eles fazem um trabalho muito bom de análise da cultura das pessoas como algo determinante para o desenvolvimento econômico. Então nada melhor do que destacar as principais conclusões que eles acharam.


Antes disso, contudo, vale a pena destacar que apesar da corrente principal de estudos econômicos ainda estar muito centrada no cálculo racional de otimização das coisas, cada vez mais cresce o olhar sobre a interferência das crenças e da sociedade. No resumo do resumo, isto significa que os indivíduos decidem sozinhos sobre como ficar mais felizes e confortáveis (otimização), mas estas escolhas são significativamente influenciadas pelo contexto (pelas instituições), o que faz com este tipo de estudo ganhe bastante espaço nas discussões econômicas.


Na pesquisa, um dos principais objetivos é criar um mapa cultural que representa a tradição das sociedades. Ele foi criado a partir de vários indicadores e está dividido em duas linhas: a primeira divide as pessoas entre Traditional values, que valoriza família, religião e a autoridade, rejeitando divórcio, aborto e eutanásia, por exemplo, e Secular-rational values, que é o oposto da primeira. A segunda linha divide-se entre Survival values, que está ligado a valores etnocêntricos e tem baixa nível de tolerância, e Self-expression, que apresenta alto grau de tolerância com estrangeiros, homossexuais e igualdade de gênero.


O mapa mostra sociedades nestes dois quesitos. Quanto mais para cima, maior a mudança de Traditional values para Secular-rational e quanto mais para a direita, maior a mudança de Survival para Self-expression values.



Talvez o principal resultado da pesquisa encontra-se na evolução destes indicadores. Nas últimas décadas vimos mudanças culturais drásticas, principalmente em direção à maior igualdade de gênero. Só que apesar do movimento de globalização, integração das economias e expansão da informação, as pesquisas mostram que os valores das sociedades não estão convergindo.


A maioria dos avanços em relação à tolerância sexual, racial e de gênero ocorrem essencialmente em sociedades economicamente mais avançadas e industrializadas. Os demais países que se encontram estagnados economicamente tiveram pouco avanço.

É por isso também que o mapa apresenta uma distinção clara entre o desenvolvimento econômico e os valores da sociedade, sendo que o quadrante superior direito é predominantemente povoado por países ricos, enquanto o quadrante contrário apresenta os países mais pobres.


Economia regional


Para manter o clima bom, resolvemos tentar analisar alguns dados das igrejas no Brasil e um comportamento “estranho” está ocorrendo em praticamente todos os estados nos últimos anos.


O negócio é o seguinte: algumas igrejas fazem devidamente a contratação de funcionários CLT, onde, ao todo, são cerca de 135 mil trabalhadores de igrejas brasileiras. A maioria ocupa funções de manutenção de edificações e na parte administrativa.


A partir de 2007, quando se começou a ter registro destes dados desagregados, até 2011, o volume de trabalhadores das igrejas crescia de maneira muito próxima à evolução geral das contratações em todo o Brasil.


Só que de lá pra cá, as séries de dados são bem distintas, beirando quase o inverso em alguns casos. O período da maior crise econômica do Brasil, entre 2014 a 2015, foi também o momento de pico das contratações em igrejas. Será que existe um movimento contra-cíclico, de maior movimentação nas igrejas em períodos de maior dificuldade? Fica aí a pergunta, pois não sabemos (e nem iremos) colocar a resposta por aqui.



Acadêmicos do bolo (e não Boulos)


Já que estamos falando de desenvolvimento econômico, vale a pena resgatar um artigo um pouco mais antigo, mas que aborda uma ótima questão: o que fazemos com o bolo? Repartimos ou primeiro deixamos ele crescer para só depois comer?


A analogia é horrível, mas não fomos nós que inventamos, e sim Delfim Netto, ministro da economia na época do milagre econômico. Ele afirmava que o bolo deveria primeiro crescer para depois reparti-lo, em uma referência ao PIB e possíveis benefícios